sábado, 26 de abril de 2008
um só coração sozinho
tão afogada de angústias.
tão cheia de questionamentos.
que estive prestes a transbordar.
tanta dor.
tanta lágrima.
tanta ansiedade.
dentro de um coração sozinho.
dentro de um só coração.
e a toda volta, pra onde olho.
vejo mais ainda sentimento.
mais angústia.
me questiono ainda mais.
que estive prestes a perguntar.
pra que tanta dor.
pra que tanta lágrima.
pra que tanta ansiedade.
dentro de um coração sozinho.
dentro de um só coração.
(maria fernanda)
sábado, 19 de abril de 2008
bu
coberto com gente nova.
outras fotos, outras músicas.
novas propostas.
achei que tinha te enterrado bem fundo.
longe dos meus planos.
perto do meu passado.
ali, num tempo atrás.
achei que tinha te enterrado bem fundo.
mas você ressurgiu nos sonhos
e dos sonhos nas conversas.
nos encontros ao acaso.
achei que tinha te enterrado bem fundo.
mas descobri que quanto mais fundo.
quanto mais longe eu te quis.
mais força eu fiz pra te trazer de volta.
(maria fernanda)
sexta-feira, 18 de abril de 2008
insônia
de tão longa, lenta.
de tão lenta, pára.
para em si.
parar em mim.
doce sonho.
de tão doce, fácil.
de tão fácil, raro.
para em si.
viver em mim.
(maria fernanda)
sexta-feira, 11 de abril de 2008
saudade
tão longe.
de você tão perto.
tão mais perto.
e dentro.
lá dentro.
torna o tempo.
tão longo.
longo.
e tão vasto.
o espaço.
é largo.
o abraço.
forte e quente.
é o beijo.
e doce.
tão doce.
há lembrança.
e saudade.
que grande.
tão grande.
(maria fernanda)
quinta-feira, 10 de abril de 2008
sábado, 5 de abril de 2008
é o fim?
quem foi um dia ficou
e quem ficou, talvez
mereceu,
mas quem foi,
um dia também era
e fim
(maria fernanda)
preencher
tentei preencher com um triângulo
aproveitei um círculo,
outro quadrado
usei uns losangos
sobrou ao fim,
um espaço redondo
várias formas,
infinitas maneiras
e nenhuma solução
(maria fernanda)
tão simples assim
não é tão simples assim.
dizem que a gente se acostuma com o convívio.
não é tão simples assim.
dizem que a gente aprende a entender.
não é tão simples assim.
dizem que a gente tolera o que precisa.
não é tão simples assim.
dizem que a gente se habitua com a rotina.
não é tão simples assim.
mas eu te amo.
mas eu convivo com você.
mas eu te entendo.
mas eu te preciso.
mas eu me habituei.
porque é tão simples assim
(maria fernanda)
quinta-feira, 3 de abril de 2008
lágrimas
brotaram imensas,
e não houve como impedir,
surgiram às margens,
inundaram as bordas.
e transbordaram.
transbordaram emocionadas,
doloridas da luta,
surpresas dos fatos,
das longas partidas.
e escorreram.
escorreram amargas,
salgadas no tato,
frias no gosto,
ásperas aos olhos.
e gotejaram.
gotejaram sozinhas,
únicas,
reféns da dor,
sobreviventes da esperança.
e eram.
foram-se as lágrimas.
(maria fernanda)
quarta-feira, 2 de abril de 2008
nada a declarar
(maria fernanda)
terça-feira, 1 de abril de 2008
casa de mainha
tuas mãos a me afagar
teu colo de descansar
saio de tua casa
e sempre que volto
sua casa ainda é minha
teus cabelos ao soltar
teus pés ao deslizar
em meu coração pousar
entro em tua casa
e sempre que saio
ainda tenho vontade de voltar
(maria fernanda)
pra myatia
eu vejo a letra da nossa música.
toda vez que eu vejo a canção,
eu cantarolo dentro da minha cabeça.
toda vez que a canto,
sinto meu coração apertar.
porque ele se sente vazio sem você.
porque ele não consegue mais viver dentro de mim.
longe de você.
e todo meu amor é seu,
todo seu!
(maria fernanda)
duvideodó, duvideo há
não me importava não te ver.
não te via sem te encontrar.
não te encontrava sem querer.
mas te quis sem pensar.
porque te escolhi sem te precisar.
hoje não sei mais só te pensar.
te preciso sem querer.
te vejo até sem te encontrar.
porque me importas até me incomodar.
(maria fernanda)
sábado, 29 de março de 2008
nada se cria, tudo se transforma (complementa o ontem)
há dois anos esperei pra chegar hoje. não porque desde o primeiro dia de trabalho que eu já queria abandonar o trabalho. mas porque esse dia que chegaria seria o decisivo. quando eu comecei a trabalhar, depois de terminada a faculdade, foi enfim a alforria da dependência (e por conseguinte a conquista da independência), foi o início de uma vida de construção. tudo que todo mundo quer. até aqui nada de novo. (aquela manhã de fevereiro) foi uma glória. mas foi um dia cheio de dúvida também. o que eu vou ser quando crescer? o que eu vou escolher daqui pra frente? estava com a caneta e o cérebro nas mãos, e não sabia nem por onde começar a abrir as gavetas. passei dois anos pensando, e como pensei, e chorei. fui e voltei, escolhi e risquei, aprendi e detestei, encontrei e deixei. viajei. continuei pensando e confirmando a certeza que aquilo, realmente não era o que eu pretendia pra minha vidinha crescida, mas o que eu queria? eu também não tinha a menor idéia. e de repente, numa tarde inesperada (aquela tarde de novembro), fui surpreendentemente apresentada a uma idéia nova e inusitada. fazer uma escolha que pra mim, foi desde o começo realmente a última alternativa. mas a oportunidade inesperada nasceu, modelou-se com gracejo, sorriu com ternura e cresceu vigorosa e rápida sob meus olhos, sobre os nossos olhos. e fui desapropriando em mim o espaço da minha própria duvida e da minha despretensiosa intenção, com um sim, uma esperança e um novo rascunho surgiram e subitamente, encontrei a gaveta certa pra abrir. há dois anos esperei pra chegar hoje. mas agora, esse dia (esta tarde de abril) se aproxima com tanta ânsia que, pasme, tive medo. não sei também se é medo, ou se é na verdade receio, êxtase e admiração, juntos, mesclados num mesmo universo. de repente aquilo tudo que eu subestimei por dois anos mostrou-se como o sólido alicerce real da minha caminhada. a sola da minha sandália, rasgada e gasta. só nestes últimos dias, em que me vejo cumprindo meu papel, livre do peso da insatisfação que vim trazendo comigo nesses longos meses, percebi quanta falta isso vai fazer e quanta angústia amargurada e afogada que vim carregando se vai; me deixando agora respirar a saudável liberdade, despretensiosamente. não termino essa semana com desprezo. ao contrário, com irreverência, termino apenas interpretando esta pausa do recesso do dia internacional do trabalho como a minha pausa de transição. e (nessa manhã de maio) recomeço outro play para o qual se diz: não é uma nova profissão, eu só mudei meu ponto de vista. passei a ver através de outros olhos, dos olhos dos outros.
(maria fernanda)
sexta-feira, 28 de março de 2008
larguei meu emprego - experimente largar o seu - recomeçando
larguei meu emprego.
desse jeito. simples como escrever essa frase - experimente, dá uma sensação de leveza de espírito (se é que espírito pesa).
acordei numa segunda, depois de ter passado uma madruga virando na cama mais que churrasco em padaria, e com aquele olho de baiacu, sobre o travesseiro molhado de lágrimas e a decisão mais sensata que eu devia ter era aproveitar a deixa e largar meu emprego.
já estava insatisfeita, já não aguentava mais ir e vir, queria mudar e faltava coragem, aquela madrugada fatídica e todo aquele vazio que eu sentia por ter sido deixada, realmente eram a gota d'água que faltava, não eram? se tudo já tinha dado errado, que mal tem em largar o emprego e ir em busca de algo novo!
liguei pra minha chefe e comuniquei: 'olha só, como já havia adiantado, pretendia mudar de trabalho, essa data chegou, vou viajar essa semana, volto na outra e fico até dia 20'...assim, simples, direto, de direita, na cara.
e acordei na outra sexta, desempregada.
alívio.
alívi.
alív.
alí.
ali a tortura,
tensão, tensão. e agora?
de repente, me dei conta que a tal madrugada fatídica passou, ele foi embora, com as coisas que ele nem tinha (as que ficaram foram pro lixo), o dia adormeceu e despertou seguidamente, ele sumiu definitivamente (e também passou), e as contas começaram a chegar.
e o que tinha sido tão fácil, passou a ser a tormenta.agora, nem posso pensar em repetir aquela frase, nem vou reler.naquela segunda ele até valia uma das lágrimas, mas hoje, não dá pra comparar nem com o lenço que usei. teria então valido meu emprego? teria valido meu sossego e a serenidade da decisão? será que não devia ter sido mais ponderada?
não sei dizer.mas hoje estou correndo atrás do tempo perdido com ele, do tempo perdido sem me encontrar, do tempo perdido que se perdeu num tempo, que finalmente, está se encontrando novamente.
(maria fernanda)
quinta-feira, 27 de março de 2008
visto de partida
petrolina fica à beira do rio são francisco e em torno dela existe um projeto de irrigação do vale, projeto de irrigação senador nilo coelho, de alguns pouco mais de 30Km de raio de extensão. o projeto é divivido em bairros, os núcleos, e em cada núcleo existe uma sede, a vila, onde tem casas e moram os trabalhadores das fazendas dispersas no vale e no projeto. lagoa grande é uma cidade que fica a 50km de petrolina e a uns 20Km dos projetos.
essa é curta mas é curiosa.
senhor antônio, um senhor idoso, 75 anos, paciente da unidade de saúde, em lagoa grande/pe. hipertenso, chegou à consulta, ansioso e preocupado, porque queria viajar. queria ferias. "pois não seu antônio, e o que foi que houve então?" sr antônio, solicita: "a senhora autoriza que eu vá tirar férias?", mas eu? autorizar? lógico! sou apenas a médica. ao menos, questionei, pra onde ele iria: "pra casa do meu filho, na vila do núcleo 8 do projeto nilo coelho". um senhor de 75 anos, me pedindo autorização pra viajar 20km pra casa do seu filho. acho que nunca na vida vou ouvir caso semelhante.
duas semanas depois retorna sr antônio das férias, e eu, empolgada pra saber como tinha sido, ouvi, de duas contas azuis transbordando em lágrimas que insistiam em não cair pela face, apenas inundar a órbita... "dra. foram as férias mais tristes que eu já tive, vi coisas que nunca pensei ainda ver em toda minha vida. não fui pra casa do meu filho na vila do projeto, fui pra casa da minha filha, numa acampamento de sem-terra, a uns 60km daqui. vi gente sendo assaltada todo dia, crianças maltratadas, fome e miséria. sofri, senti dor no peito, muita tristeza."
o que eu podia dizer aquele que eu tinha "autorizado" a viagem. tinha ouvido de um senhor um depoimento simples e sofrido da realidade do nosso país. "vá pra vila da próxima vez, sr antônio, sem surpresas pro seu coração!"... que outro conselho eu podia dar para alguém que depositou em mim a esperança das férias em família e ao contrário, vivenciou em família o sofrimento dos sem esperança.
(maria fernanda)
quarta-feira, 26 de março de 2008
carnaval na bahia!
foram anos de expectativa. foram segundos de constatação. desde minha infância, passei os carnavais no sul do país. lá o feriado de carnaval tem uma conotação de um grande feriadão, cuja quarta-feira nos revela o verdadeiro fim do verão; as férias acabaram e agora o ano começa pra valer. aliás, lá, aqui no nordeste, centro-oeste ou em qualquer lugar do brasil, isso é o fato. o carnaval encerra a temporada. no sul, a tendência é irmos à praia, com amigos, parentes, família, namorado, para curtir os quatro dias de happy end. na areia, na piscina ou saindo à noite às baladas e bares, que estão mais cheios que em toda temporada (ouvindo um pouco de axé com pagode e samba no ritmo frenético mais que o habitual), quando na quarta, é mandatário pegar congestionamentos homéricos nas rodovias para voltar antes do meio-dia. pela televisão, contemplam-se os desfiles na sapucaí, os shows magníficos em salvador e recife, os blocos organizados, a venda de abadás e ingressos. pela televisão. lá não há carnaval de rua, não há a tal festa popular. mas desde a adolescência ouço falar do carnaval do nordeste, em especial claro, o carnaval da bahia. e esse ano, foi o ano da revelação: “finalmente vou passar meu primeiro carnaval na bahia”. e fui. e vi. e ouvi. e reparei. e por fim, verifiquei. quando me vi no meio da multidão, esperando o bloco passar, fui tomada pela seguinte e objetiva pergunta: “é isso? esperei tanto tempo pra isso?”. ressalto aqui que em nenhum momento essa indagação soou um sentido de decepção ou degradação da festa. não sei quanto de sonho eu trazia dentro de mim e também não sei ao certo descrever o que eu esperava encontrar, porque nem eu sei honestamente o que eu imaginava que seria meu primeiro carnaval na bahia. só posso dizer que a realidade confrontou meus dois extremos: minha expectativa era completamente diferente da minha constatação. nem melhor, nem pior. apenas, e muito, diferente. de início, fiquei observando atenta e curiosa a todos os passos e acontecimentos, como se quisesse registrar aquilo pra eternidade. aos poucos, fui reparando nos detalhes, nas peculiaridades de cada folião, na alegria que cada um traz consigo. já com algum tempo, meus pés começaram sozinhos, timidamente, a bater as pontinhas no chão, e o quadril balançando pra lá e pra cá, debilmente. o acanhado corpo, aos poucos, contagiou-se, e quando passava das duas, estava agitando os braços no meio de todos. não posso dar uma nota a minha primeira experiência baiana. contudo, posso afirmar com toda a certeza: a expectativa é a mais ardilosa maquiagem. te faz viver duas vezes a mesma experiência: a vida antes, e a vida agora.
(maria fernanda)
domingo, 23 de março de 2008
a diferença que faz...
conversa vai conversa vem
pensei naquele borrão que você se tornou,
quando passei a não mais te criar.
quando eu mesma me belisquei.
percebi que bela mancha que ao surgir,
eu poderia docemente lapidar.
gentilmente contornar,
lentamente colorir.
escrever um diário, numa folha em branco?
ou uma mancha que tem por fim.
tornar-se uma pintura, uma obra, ou simplesmente.
continuar um borrão?
o que muda nisso tudo, é só o resultado.
a intensidade do sentimento,
pra vivenciar sua recriação,
e a maravilha de te planejar.
é a diferença que faz.
(maria fernanda)
sábado, 22 de março de 2008
quem é você?
me embala em sono,
e corre nas veias
quem é você que acende a luz,
preenche o vazio,
que aquece o frio?
quem é você que me cobra,
que me dispensa e reencontra,
desdenha e recomeça?
quem é você que me humilha,
me faz esperar e sonhar,
e jamais aparece?
quem é você, que tanto recebe,
aproveita, descarta
e volta a cativar?
quem é você, que me usa,
gasta, casta,
confunde, ilude e nada merece?
(maria fernanda)
sexta-feira, 21 de março de 2008
versinho com sono
passei o dia assim aqui a esperar,
aliás, foram tantos os sonhos,
todos tão perto,
todos em mim,
que quando resolvi sonhar,
acordei.
(maria fernanda)
domingo, 16 de março de 2008
fraquezas?
que no chão pisam.
e nos saltos dançam.
meu forte são os pés.
que nos sapatos se apoiam.
nos saltos engrandecem.
meu forte não são os garfos.
que em si espetam.
e entre espaços perdem.
meus fortes são as conchas.
que reúnem e unem.
em porções transferem.
meu forte não são as palavras.
que superficiais sozinhas.
interrogam e afligem.
meu forte são os versos.
que em uníssono gritam.
representam e marcam.
(maria fernanda)
domingo, 9 de março de 2008
um pedido
teria te acolhido em meus braços,
dentro do meu coração.
eu teria relevado todas as mentiras.
teria entendido todas tuas razões.
teria acreditado em todos os teus motivos.
eu teria realizado seus desejos,
teria te coberto de beijos.
teria te encontrado de novo.
inventaria desculpas;
aceitaria promessas;
faria novas juras.
teria revelado meus segredos,
e escutado tuas dores;
teria acolhido só suas angústias.
teria falado só as tuas vontades.
saberia só tuas verdades.
beberia somente seu amor.
dedicaria ainda mais tempo.
teria criado novas horas,
e cultivado novos hábitos.
teria te amado em dobro.
respeitaria ainda assim.
teria te querido muito mais.
teria sido de novo somente tua.
bastava um pedido teu.
perdoaria sem questionar.
porque sou mulher,
e era tua.
(maria fernanda)
sábado, 8 de março de 2008
sexta-feira, 7 de março de 2008
não belisca
(maria fernanda)
domingo, 17 de fevereiro de 2008
reviver
te adorei mais que à própria vida;
desejei teu corpo como à liberdade;
sonhei-te como um vício;
planejei-te com doçura.
desprendi de mim qualquer possibilidade de um dia voltar a ser o que fui.
tu inovaste minha vida como quem dá cor a uma tela
e preencheste de luz o antigo vazio da minha alma.
rude e realista trouxe-me o hoje à mente,
a completa cruel certeza da incerteza,
a fragilidade dos sentimentos,
a dor invisível do fracasso.
tão rapidamente entraste e saíste: levaste contigo toda esperança.
deixaste-me só,
sem liberdade,
sem vício,
sem doce,
sem cor,
sem luz.
(maria fernanda)
sábado, 16 de fevereiro de 2008
deixa o tempo comigo
(maria fernanda)
quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008
o que me importa
(maria fernanda)
terça-feira, 12 de fevereiro de 2008
bem que eu percebi...
domingo, 10 de fevereiro de 2008
sexta-feira, 15 de dezembro de 2006
bem vinda
dono do abandono e da tristeza
comunico oficialmente que há um lugar na minha mesa
pode ser que você venha por mero favor,
ou venha coberta de amor
seja lá como for, venha sorrindo
ah, bem-vinda, bem-vinda, bem-vinda
que o luar está chamando,
que os jardins estão florindo
que eu estou sozinho cheio de anseio e de esperança,
comunico a toda gente que há lugar na minha dança
pode ser que você venha morar por aqui,
ou venha pra se despedir
não faz mal pode vir até mentindo
ah, bem-vinda, bem-vinda, bem-vinda
que o meu pinho está chorando,
que o meu samba está pedindo que eu estou sozinho
vem iluminar meu quarto escuro,
vem entrando com o ar puro todo novo da manhã
oh vem a minha estrela madrugada,
vem a minha namorada vem amada, vem urgente, vem irmã
bem-vinda, bem-vinda, bem-vinda
que essa aurora está custando,
que a cidade está dormindo
que eu estou sozinho
certo de estar perto da alegria,
comunico finalmente que há lugar na poesia
pode ser que você tenha um carinho para dar,
ou venha pra se consolar
mesmo assim pode entrar que é tempo ainda
ah, bem-vinda, bem-vinda, bem-vinda
ah, que bom que você veio,
e você chegou tão linda
eu não cantei em vão
bem-vinda, bem-vinda, bem-vinda, bem-vinda, bem-vinda
(chico buarque)
sábado, 9 de dezembro de 2006
a cúmplice
eu quero uma mulher
que seja diferente
de todas que eu já tive
de todas tão iguais
que seja minha amiga
amante, confidente
a cúmplice de tudo
que eu fizer a mais
no corpo tenha o sol
no coração a lua
a pele cor de sonho
as formas de maçãs
a fina transparência
uma elegância nua
o mágico fascínio
o cheiro das manhãs
eu quero uma mulher
de coloridos modos
que morda os lábios
sempre que for me abraçar
no seu falar provoque
o silenciar de todos
e seu silêncio obrigue
a me fazer sonhar
que saiba receber
que saiba ser bem-vinda
que possa dar jeitinho
a tudo que fizer
que ao sorrir provoque
uma covinha linda
de dia, uma menina
a noite, uma mulher
(juca chaves)
sábado, 2 de dezembro de 2006
questão de opção
a sensação eminente de humilhar-se ou ser humilhado – moralmente, psicologicamente – transcende qualquer vontade mais íntima do ser humano de se sentir valorizado. ‘segure as lágrimas, olhe com desdém, seja firme e polido’. quase conseguimos levitar de tanta indiferença. o breve passa como um longo intervalo entre a esperança insignificante e o desespero perturbador. anulamos nossa ânsia simplesmente pelo fato de não querermos aceitar o abismo gutural entre o nosso, e o caráter do outro.
talvez o orgulho seja a maior das qualidades.
porque a gente olha no espelho, no espelho da alma, e percebe que caráter não faz parte do pacote uterino. caráter se faz, se cultiva, se vive, se modela. se humilhar com a intenção débil de valorizar-se não lapida caráter nenhum; gangrena-o; o faz pútrido. estimar-se é justamente não abandonar o amor que temos por nós mesmos.
na maioria das vezes, acho que fico com a segunda opção. sábia eu ao modelar meu caráter. sorte a minha ter sido presenteada com o orgulho que faz de mim, alguém que se ama. valor meu, minha dignidade.
(maria fernanda)
sábado, 18 de novembro de 2006
juazeiro da bahia, isso é que é litoral
(maria fernanda)
segunda-feira, 18 de abril de 2005
a gente se acostuma
(autor desconhecido)
sexta-feira, 4 de março de 2005
lindo e triste brasil
sou nascido
aqui mesmo neste país
tão gigante
tão franzino
seu destino ao deus dará.
rios e fontes aos montes
e dunas de areia em beira de mar
tudo aqui é mesmo tão lindo morena
pena que o homem não pensa em cuidar
a solidão é viver sem ninguém
em quem poder confiar.
minha gente
é gente deste país
povo lindo
chora rindo
canta na sapucaí.
entre enredo e passista
misturam-se médico, artista e gari.
com muito pouco que temos
ainda sabemos sofrendo, cantar e sorrir
sou do país do futuro
futuro que insiste em não vir por aqui.
somos muitos
e muito podemos fazer
vai rolinha
pintassilgo
voa andorinha
aí tici
nadem golfinhos e peixes
nas águas dos mares, dos lagos e dos rios
quem sabe ainda veremos
o que o poetinha um dia
sonhou, mas não viu.
pátria minha patriazinha, tadinha.
lindo e triste brasil.
(toquinho)
terça-feira, 15 de fevereiro de 2005
maria a bahia
sexta-feira, 10 de dezembro de 2004
título? não sei. autor? interrogado. vale a pena? muito.
a vida é o dever, que nós trouxemos para fazer em casa.
quando se vê, já são seis horas!
quando se vê, já é sexta-feira...
quando se vê, já é natal...
quando se vê, já terminou o ano...
quando se vê, perdemos o amor da nossa vida...
quando se vê, passaram-se 50 anos! agora, é tarde demais para ser reprovado...
se me fosse dado, um dia, outra oportunidade, eu nem olhava o relógio...
seguiria sempre em frente e iria jogando, pelo caminho, a casca dourada e inútil das horas...
seguraria o amor, que está muito à minha frente, e diria que eu amo...
dessa forma, eu digo: não deixe de fazer algo de que gosta devido à falta de tempo.
não deixe te ter pessoas ao seu lado por puro medo de ser feliz.
a única falta que terá, será a desse tempo que infelizmente...
nunca mais voltará.
(mário quintana???)
quarta-feira, 15 de setembro de 2004
o único defeito da mulher
a fronteira era determinada pelos pontos de vista, atitude e prioridades.
explico: no "córner" masculino imperava o embate das comparações e disputas. meu carro é mais potente, minha tv é mais moderna, meu salário é maior, a vista do meu apartamento é melhor, o meu time é mais forte, eu dou 3 por noite e outras cascatas típicas da macheza latina. já no "córner" oposto, respirava- se outro ar.
as opiniões eram quase sempre ligadas ao sentir. falava- se de sentimentos, frustrações e recalques com uma falta de cerimônia que me deliciava. os maridos preferiam classificar aquele ti-ti-ti como fofoca. discordo.
destas reminiscências infantis veio a minha total e irrestrita paixão pelas mulheres. constatem, é fácil. enquanto o homem vem ao mundo completamente cru, freqüentando e levando bomba no be-a-bá da vida, as mulheres já chegam na metade do segundo grau. qualquer menina de 2 ou 3 anos já tem preocupações de ordem prática.
ela brinca de casinha e aprende a dar um pouco de ordem nas coisas. ela pede uma bonequinha que chama de filha e da qual cuida, instintivamente, como qualquer mãe veterana. ela fala em namoro mesmo sem ter uma idéia muito clara do que vem a ser isso. em outras palavras, ela já chega sabendo. e o que não sabe, intui.
já com os homens a historia é outra. você já viu um menino dessa idade brincando de executivo? já ouviu falar de algum moleque fingindo ir ao banco pagar as contas? já presenciou um bando de meninos fingindo estar preocupados com a entrega da declaração do imposto de renda? não, nunca viram e nem verão.
porque o homem nasce, vive e morre uma existência infanto juvenil. o que varia ao longo da vida é o preço dos brinquedos. aí reside a maior diferença: o que para as meninas é treino para a vida, para os meninos é fantasia, é competição. então a fuga os acompanha o resto da vida, e não percebe quanto tempo eles perdem com seus medos. falo sem o menor pudor.
sou assim. todo homem é assim. em relação ao relacionamento homem/mulher, sempre me considerei um privilegiado. sempre consegui enxergar a beleza física feminina mesmo onde, segundo os critérios estéticos vigentes, ela inexistia. porque toda mulher é linda. se não no todo, pelo menos em algum detalhe. é só saber olhar. todas têm sua graça. e embora contaminado pela irreversível herança genética que me faz idolatrar os ícones de cafajestismo, sempre me apaixonei perdidamente por todas as incautas que se aproximaram de mim. incautas não por serem ingênuas, mas por acreditarem...
porque toda mulher acredita firmemente na possibilidade do homem ideal.
e esse é o seu único defeito.
(sérgio gonçalves, redator da loducca, publicado no jornal da agência)
a lista
quem você mais via há dez anos atrás
quantos você ainda vê todo dia
quantos você já não encontra mais
faça uma lista dos sonhos que tinha
quantos você desistiu de sonhar
quantos amores jurados pra sempre
quantos você conseguiu preservar
onde você ainda se reconhece na foto passada ou no espelho de agora
hoje é do jeito que achou que seria?
quantos amigos você jogou fora
quantos mistérios que você sondava
quantos você conseguiu entender?
quantos defeitos sanados com o tempo
eram o melhor que havia em você
quantas mentiras você condenava
quantas você teve que cometer
quantas canções que você não cantava
hoje assobia pra sobreviver
quantos segredos que você guardava
hoje são bobos ninguém quer saber
quantas pessoas que você amava
hoje acredita que amam você?
(osvaldo montenegro)
sábado, 14 de agosto de 2004
terça-feira, 10 de agosto de 2004
metade
que a morte de tudo em que acredito não me tape os ouvidos e a boca.
porque metade de mim é o que eu grito,
mas a outra metade é silêncio.
que a música que eu ouço ao longe seja linda,
e sem tristeza.
que a mulher que eu amo seja sempre amada,
mesmo que distante.
porque metade de mim é partida
e a outra metade é saudade.
que as palavras que eu falo não sejam ouvidas como prece nem repetidas com fervor:
apenas respeitadas como a única coisa que resta a um homem inundado de sentimento.
porque metade de mim é o que ouço,
mas a outra metade é o que calo.
que essa minha vontade de ir embora se transforme na calma e na paz que eu mereço;
que essa tensão que me corroe por dentro seja um dia recompensada,
porque metade de mim é o que eu penso
e a outra metade é um vulcão.
que o medo da solidão se afaste,
que o convívio comigo mesmo
se torne - ao menos - suportável;
que o espelho reflita em meu rosto o doce sorriso que eu me lembro de ter dado na infância,
porque metade de mim é a lembrança do que fui,
a outra metade, eu não sei...
que não seja preciso mais do que uma simples alegria para me fazer aquietar o espírito.
e que o teu silêncio me fale cada vez mais,
porque metade de mim é abrigo,
mas a outra metade é cansaço.
que a arte nos aponte uma resposta, mesmo que ela não saiba, e que ninguém a tente complicar, porque é preciso simplicidade para fazê-la florescer.
porque metade de mim é a platéia
e a outra metade, a canção.
e que minha loucura seja perdoada.
porque metade de mim é amor
e a outra metade... também !
(osvaldo montenegro)
segunda-feira, 9 de agosto de 2004
domingo, 8 de agosto de 2004
canção de vidro
não se ouviu nada
nada
mas o cristal nunca mais deu o mesmo som
cala, amigo
cuidado, amiga
uma palavra só pode tudo perder para sempre
e é tão puro o silêncio agora!
(mário quintana)
sábado, 7 de agosto de 2004
torcida
mesmo antes de nascer, já tinha alguém torcendo por você. tinha gente que torcia para você ser menino. outros torciam para você ser menina. torciam para você puxar a beleza da mãe, o bom humor do pai. estavam torcendo para você nascer perfeito. daí continuaram torcendo. torceram pelo seu primeiro sorriso, pela primeira palavra, pelo primeiro passo. o seu primeiro dia de escola foi a maior torcida. e o primeiro gol, então? e de tanto torcerem por você, você aprendeu a torcer. começou a torcer para ganhar muitos presentes e flagrar papai noel. torcia o nariz para o quiabo e a escarola. mas torcia por hambúrguer e refrigerante. começou a torcer até para um time. provavelmente, nesse dia, você descobriu que tem gente que torce diferente de você. seus pais torciam para você comer de boca fechada, tomar banho, escovar os dentes, estudar inglês e piano. eles só estavam torcendo para você ser uma pessoa bacana. seus amigos torciam para você usar brinco, cabular aula, falar palavrão. eles também estavam torcendo para você ser bacana. nessas horas, você só torcia para não ter nascido. e por não saber pelo que você torcia, torcia torcido. torceu para seus irmãos se ferrarem, torceu para o mundo explodir. e quando os hormônios começaram a torcer, torceu pelo primeiro beijo, pelo primeiro amasso. depois começou a torcer pela sua liberdade. torcia para viajar com a turma, ficar até tarde na rua. sua mãe só torcia para você chegar vivo em casa. passou a torcer o nariz para as roupas da sua irmã, para as idéias dos professores e para qualquer opinião dos seus pais. todo mundo queria era torcer o seu pescoço. foi quando até você começou a torcer pelo seu futuro. torceu para ser médico, músico, advogado. na dúvida, torceu para ser físico nuclear ou jogador de futebol. seus pais torciam para passar logo essa fase. no dia do vestibular, uma grande torcida se formou. pais, avós, vizinhos, namoradas e todos os santos torceram por você. na faculdade, então, era torcida pra todo lado. para a direita, esquerda, contra a corrupção, a fome na albânia e o preço da coxinha na cantina. Ee de torcida em torcida, um dia teve um torcicolo de tanto olhar para ela. primeiro, torceu para ela não ter outro. torceu para ela não te achar muito baixo, muito alto, muito gordo, muito magro. descobriu que ela torcia igual a você. e de repente vocês estavam torcendo para não acordar desse sonho. torceram para ganhar a geladeira, o microondas e a grana para a viagem de lua-de-mel. e daí pra frente você entendeu que a vida é uma grande torcida. porque, mesmo antes do seu filho nascer, já tinha muita gente torcendo por ele. mesmo com toda essa torcida, pode ser que você ainda não tenha conquistado algumas coisas. mas muita gente ainda torce por você!
(carlos drummond de andrade???)
domingo, 1 de agosto de 2004
pó
tu és pó, eu ao pó reverteres.
em verdade, é só isso que queres.
vem do sol, o que queima e as cores.
amanhã, teu pó serão flores.
quando sinto no pescoço um nó.
vem o vento e me sopra eu sou pó.
(beto brasiliense)
dá um alívio, não dá?






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