panorâmicas

panorâmicas
a evolução do homem

sábado, 18 de novembro de 2006

juazeiro da bahia, isso é que é litoral

moro no sertão pernambucano. moro aqui há um ano e meio. em petrolina. do outro lado da ponte, tem juazeiro da bahia. disto 850km de recife/pe, uns 500km de salvador/ba, e ontem tive a descoberta geografica mais atual da minha localização no mapa. na última sexta-feira fui contemplada com paralamas do sucesso. caraca!!! da minha época, da minha geração. lembra quando tocavam em curitiba juntos paralamas, barão e titãs!!! deu tudo certo, achamos vaga pra estacionar pertinho, compramos ingresso barato, sem fila, e ainda, conseguimos cair na multidão da entrada e passar pelo corredor de acesso em menos de cinco minutos, enquanto a fila do outro lado, de carros, de vendedores e de expectadores virava esquina. tudo dando certo, só faltava o show começar e ia ser um flashback do mais saudosista... e começou... bom essa não conheço, deve ser o último lançamento... ah, essa, deve ser do mesmo cd do lançamento... hum, puxa, como estão querendo divulgar esse cd com esses lançamentos todos assim de cara! nossa, a décima, quanto lançamento junto... de repente, herbet viana (que ainda não havia dado boa noite à platéia) entrou com sua moto de gaiato no navio, usando óculos, revirando minha saudade num caleidoscópio sem lógica... aquele monte de música velha que melodiou minha adolescência, que coube em páginas dos meus diários, que cantou minhas angústias e festas, representou minhas lágrimas, cantou meus namoradinhos. e de repente, pra minha alegria, meu coração e alma, alagados, ouviram tudo aquilo que havia querido ouvir desde quando cheguei. foi quando estava pra acabar, que o desfecho bombástico da noite eis que surge do palco. herbert viana empolgado na sua guitarra e na voz, aproveitou a música pra fazer um trocadilho, infelizmente, pra lá de infeliz... "os paralamas do sucesso vão tocar no litoral... e aqui estamos noóóóóósss moçada"... litoral??? é, realmente a gente não pode querer tudo, música boa, da época certa, no tempo errado, numa cidade do sertão. meu erro foi crer que estar ao meu lado (do passado) bastaria... a vida passa, preciso aprender isso. e acho que até a geografia muda.

(maria fernanda)

segunda-feira, 18 de abril de 2005

a gente se acostuma

"eu sei que a gente se acostuma, mas não deveria. a gente se acostuma a morar num apartamento de fundos e a não ter outra vista que não as janelas ao redor. e porque não tem outra vista, logo se acostuma a não olhar para fora. e porque não olha para fora, logo se acostuma a não abrir de todo as cortinas. e porque não abre as cortinas, logo se acostuma a acender mais cedo a luz. e porque, à medida que se acostuma, esquece o sol, esquece o ar, esquece a amplidão. a gente se acostuma a acordar de manhã, sobressaltado porque está na hora. a tomar café correndo porque está atrasado. a ler jornal no ônibus porque não pode perder tempo da viagem. a comer sanduíches porque já é noite. a cochilar no ônibus porque está cansado. a deitar cedo e a dormir pesado sem ter vivido o dia. a gente se acostuma a abrir o jornal e ler sobre a guerra. e, aceitando a guerra, aceita os mortos, e que haja número para os mortos. e, aceitando os números, aceita não acreditar nas negociações de paz. e, não aceitando as negociações de paz, aceita ler todo dia de guerra, dos números da longa duração . a gente se acostuma a esperar o dia inteiro e ouvir no telefone: 'hoje não posso ir'. a sorrir para as pessoas sem receber um sorriso de volta. a ser ignorado quando precisava tanto ser visto. a gente se acostuma a pagar por tudo o que deseja e o que necessita. e a lutar para ganhar o dinheiro com o que paga. e a ganhar menos do que precisa. e a fazer fila para pagar. e a pagar mais do que as coisas valem. e a saber que cada vez pagará mais. e a procurar mais trabalho para ganhar mais dinheiro, para ter com o que pagar nas filas em que se cobra. a gente se acostuma a andar na rua e ver cartazes, a abrir as revistas e ver anúncios. a ligar a televisão e assistir a comerciais. a ir ao cinema , a engolir publicidade. a ser instigado, conduzido, desnorteado, lançado na infindável catarata dos produtos. a gente se acostuma à poluição. à luz artificial de ligeiro tremor. ao choque que os olhos levam na luz natural. às besteiras das músicas, às bactérias da água potável. à contaminação da água do mar. à luta. à lenta morte dos rios. e se acostuma a não ouvir passarinhos, a não colher frutas do pé, a não ter sequer uma planta. a gente se acostuma a coisas demais, para não sofrer. em doses pequenas, tentando não perceber. vai afastando uma dor aqui, um ressentimento ali, uma revolta acolá. se o cinema está cheio, a gente senta na primeira fila e torce um pouco o pescoço. se a praia está contaminada, a gente só molha os pés e sua no resto do corpo. se o trabalho está duro a gente se consola pensando no fim de semana. e se no fim de semana não há muito o que fazer, a gente vai dormir cedo e ainda satisfeito porque tem sono atrasado. a gente se acostuma para não se ralar na aspereza, para preservar a pele. se acostuma para evitar feridas, sangramentos, para esquivar-se da faca e da baioneta, para poupar o peito. a gente se acostuma para poupar a vida, que, aos poucos, se gasta e que, de tanto se acostumar, se perde de si mesma..."

(autor desconhecido)

sexta-feira, 4 de março de 2005

lindo e triste brasil

nada que a gente escreva ou conte é capaz de retratar com fidelidade o que é conhecer o brasil. não conheço muita coisa, pretensão minha, mas alguns lugares agrestes (e bota agrestes nisso) eu já fui, e posso contar um pouco. acre, mato grosso do sul, mato grosso, rondônia, bahia, sergipe, pernambuco... tem muita terra pra conhecer, mas o pouco que eu já vi, me faz cada dia amar mais e mais nosso país. cada lugar é um sotaque, um prato típico, um povo, uma lenda, uma banda, uma música, um sol, um céu, um sorriso. cada dia aprendo uma palavra nova, e vejo um olhar diferente, de um povo machucado, que ainda sabe, "sofrendo, cantar e sorrir"... é uma coisa indescritível, que só vivendo pra entender. tem uma música do toquinho, que de maneira esplendorosa, canta um pouco de toda essa emoção.

sou nascido
aqui mesmo neste país
tão gigante
tão franzino
seu destino ao deus dará.
rios e fontes aos montes
e dunas de areia em beira de mar

tudo aqui é mesmo tão lindo morena
pena que o homem não pensa em cuidar
a solidão é viver sem ninguém
em quem poder confiar.

minha gente
é gente deste país
povo lindo
chora rindo
canta na sapucaí.
entre enredo e passista
misturam-se médico, artista e gari.
com muito pouco que temos
ainda sabemos sofrendo, cantar e sorrir
sou do país do futuro
futuro que insiste em não vir por aqui.

somos muitos
e muito podemos fazer
vai rolinha
pintassilgo
voa andorinha
aí tici
nadem golfinhos e peixes
nas águas dos mares, dos lagos e dos rios
quem sabe ainda veremos
o que o poetinha um dia
sonhou, mas não viu.
pátria minha patriazinha, tadinha.
lindo e triste brasil.

(toquinho)

terça-feira, 15 de fevereiro de 2005

maria a bahia

pois é gente, faz tempo que não posto nada! desde a despedida, no dia 21 de janeiro. depois dessa data... na quarta seguinte, saí de carro rumo à bahia, e cá estou, cheia de coisas interessantes pra contar. chegamos bom, nossa viagem foi show. uma paisagem maravilhosa, que muda a cada hora de trânsito, desde a mata atlântica, às fazendas de gado e cacau, ao cerrado e caatinga, ao litoral e à selva de pedra sulista. o preço do coco diminui a medida que você sobre o país e os sorrisos aumentam. as ruas também começam a ficar um pouco mais esburacadas e o calor cada vez maior. só viajando pra acreditar. vitória e vila velha são duas cidades lindas, e as praias do espirito santo, inacreditáveis. aqui em cima, a adaptação não é fácil. eu que sempre critiquei os curitibanos, que eram fechados e pouco solícitos, cheguei numa terra em que é justamente o contrário, o oposto mesmo, e nem sempre é tão melhor. a gente perde um pouco a liberdade, o lívre arbítrio. todos querem ajudar tanto que a gente se sente meio talhado, preso, sem poder agir com independência. talvez seja o impacto tão grande, a diferença brutal.aqui, todo mundo reconhece a gente (no caso, eu e minha mãe). fora a cor da pele, o cabelo loiro, a altura e o sotaque, somos quase baianas... e sabe tudo que fizemos, de onde viemos e pra onde vamos. meu trabalho na us ainda não começou mas em breve vai dar flores e vou colher frutos. oportunidades e possibilidades existem e acho que com o tempo vai dar pra fazer muita coisa. já alugamos minha casa, e já compramos fogão, geladeira, máquina de lavar e colchão! amanhã compraremos pratos, talheres e vassouras. quem diria, heim naná? ainda estou sem telefone e sem computador e às vezes uso o computador do hotel. quem não recebeu email, não fique chateado. tenho enviado pra quem em lembro o email de cabeça. assim que estiver online e telefonável, aviso todo mundo. por enquanto, por aqui vou tentar mandar algumas coisas e quem conhece quem me conhece que nos conhece que se conhecem, perguntem novidades, e mandem novidades. beijo em todos e muita saudade!

sexta-feira, 10 de dezembro de 2004

título? não sei. autor? interrogado. vale a pena? muito.

a vida é o dever, que nós trouxemos para fazer em casa.
quando se vê, já são seis horas!
quando se vê, já é sexta-feira...
quando se vê, já é natal...
quando se vê, já terminou o ano...
quando se vê, perdemos o amor da nossa vida...
quando se vê, passaram-se 50 anos! agora, é tarde demais para ser reprovado...
se me fosse dado, um dia, outra oportunidade, eu nem olhava o relógio...
seguiria sempre em frente e iria jogando, pelo caminho, a casca dourada e inútil das horas...
seguraria o amor, que está muito à minha frente, e diria que eu amo...
dessa forma, eu digo: não deixe de fazer algo de que gosta devido à falta de tempo.
não deixe te ter pessoas ao seu lado por puro medo de ser feliz.
a única falta que terá, será a desse tempo que infelizmente...
nunca mais voltará.

(mário quintana???)

quarta-feira, 15 de setembro de 2004

o único defeito da mulher

se uma memória restou das festinhas e reuniões de familiares da minha infância, foi a divisão sexual entre os convivas: mulheres de um lado, homens do outro. não sei se hoje isso ainda ocorre. sou anti-social ao ponto de não freqüentar qualquer evento com mais de 4 pessoas, o que não me credencia a emitir juízo. mas era assim que a coisa rolava naqueles tempos. tive uma infância feliz: sempre fui considerado esquisito, estranho e solitário, o que me permitia ficar quieto observando a paisagem. bom, rapidinho verifiquei que o apartheid sexual ia muito além das diferenças anatômicas.

a fronteira era determinada pelos pontos de vista, atitude e prioridades.

explico: no "córner" masculino imperava o embate das comparações e disputas. meu carro é mais potente, minha tv é mais moderna, meu salário é maior, a vista do meu apartamento é melhor, o meu time é mais forte, eu dou 3 por noite e outras cascatas típicas da macheza latina. já no "córner" oposto, respirava- se outro ar.

as opiniões eram quase sempre ligadas ao sentir. falava- se de sentimentos, frustrações e recalques com uma falta de cerimônia que me deliciava. os maridos preferiam classificar aquele ti-ti-ti como fofoca. discordo.

destas reminiscências infantis veio a minha total e irrestrita paixão pelas mulheres. constatem, é fácil. enquanto o homem vem ao mundo completamente cru, freqüentando e levando bomba no be-a-bá da vida, as mulheres já chegam na metade do segundo grau. qualquer menina de 2 ou 3 anos já tem preocupações de ordem prática.

ela brinca de casinha e aprende a dar um pouco de ordem nas coisas. ela pede uma bonequinha que chama de filha e da qual cuida, instintivamente, como qualquer mãe veterana. ela fala em namoro mesmo sem ter uma idéia muito clara do que vem a ser isso. em outras palavras, ela já chega sabendo. e o que não sabe, intui.

já com os homens a historia é outra. você já viu um menino dessa idade brincando de executivo? já ouviu falar de algum moleque fingindo ir ao banco pagar as contas? já presenciou um bando de meninos fingindo estar preocupados com a entrega da declaração do imposto de renda? não, nunca viram e nem verão.

porque o homem nasce, vive e morre uma existência infanto juvenil. o que varia ao longo da vida é o preço dos brinquedos. aí reside a maior diferença: o que para as meninas é treino para a vida, para os meninos é fantasia, é competição. então a fuga os acompanha o resto da vida, e não percebe quanto tempo eles perdem com seus medos. falo sem o menor pudor.

sou assim. todo homem é assim. em relação ao relacionamento homem/mulher, sempre me considerei um privilegiado. sempre consegui enxergar a beleza física feminina mesmo onde, segundo os critérios estéticos vigentes, ela inexistia. porque toda mulher é linda. se não no todo, pelo menos em algum detalhe. é só saber olhar. todas têm sua graça. e embora contaminado pela irreversível herança genética que me faz idolatrar os ícones de cafajestismo, sempre me apaixonei perdidamente por todas as incautas que se aproximaram de mim. incautas não por serem ingênuas, mas por acreditarem...

porque toda mulher acredita firmemente na possibilidade do homem ideal.

e esse é o seu único defeito.

(sérgio gonçalves, redator da loducca, publicado no jornal da agência)

a lista

faça uma lista de grandes amigos
quem você mais via há dez anos atrás
quantos você ainda vê todo dia
quantos você já não encontra mais
faça uma lista dos sonhos que tinha
quantos você desistiu de sonhar
quantos amores jurados pra sempre
quantos você conseguiu preservar
onde você ainda se reconhece na foto passada ou no espelho de agora
hoje é do jeito que achou que seria?
quantos amigos você jogou fora
quantos mistérios que você sondava
quantos você conseguiu entender?
quantos defeitos sanados com o tempo
eram o melhor que havia em você
quantas mentiras você condenava
quantas você teve que cometer
quantas canções que você não cantava
hoje assobia pra sobreviver
quantos segredos que você guardava
hoje são bobos ninguém quer saber
quantas pessoas que você amava
hoje acredita que amam você?

(osvaldo montenegro)

sábado, 14 de agosto de 2004

terça-feira, 10 de agosto de 2004

metade

que a força do medo que tenho não me impeça de ver o que anseio.
que a morte de tudo em que acredito não me tape os ouvidos e a boca.
porque metade de mim é o que eu grito,
mas a outra metade é silêncio.
que a música que eu ouço ao longe seja linda,
e sem tristeza.
que a mulher que eu amo seja sempre amada,
mesmo que distante.
porque metade de mim é partida
e a outra metade é saudade.
que as palavras que eu falo não sejam ouvidas como prece nem repetidas com fervor:
apenas respeitadas como a única coisa que resta a um homem inundado de sentimento.
porque metade de mim é o que ouço,
mas a outra metade é o que calo.
que essa minha vontade de ir embora se transforme na calma e na paz que eu mereço;
que essa tensão que me corroe por dentro seja um dia recompensada,
porque metade de mim é o que eu penso
e a outra metade é um vulcão.
que o medo da solidão se afaste,
que o convívio comigo mesmo
se torne - ao menos - suportável;
que o espelho reflita em meu rosto o doce sorriso que eu me lembro de ter dado na infância,
porque metade de mim é a lembrança do que fui,
a outra metade, eu não sei...
que não seja preciso mais do que uma simples alegria para me fazer aquietar o espírito.
e que o teu silêncio me fale cada vez mais,
porque metade de mim é abrigo,
mas a outra metade é cansaço.
que a arte nos aponte uma resposta, mesmo que ela não saiba, e que ninguém a tente complicar, porque é preciso simplicidade para fazê-la florescer.
porque metade de mim é a platéia
e a outra metade, a canção.
e que minha loucura seja perdoada.
porque metade de mim é amor
e a outra metade... também !

(osvaldo montenegro)

domingo, 8 de agosto de 2004

canção de vidro

e nada vibrou
não se ouviu nada
nada
mas o cristal nunca mais deu o mesmo som
cala, amigo
cuidado, amiga
uma palavra só pode tudo perder para sempre
e é tão puro o silêncio agora!

(mário quintana)

sábado, 7 de agosto de 2004

torcida

mesmo antes de nascer, já tinha alguém torcendo por você. tinha gente que torcia para você ser menino. outros torciam para você ser menina. torciam para você puxar a beleza da mãe, o bom humor do pai. estavam torcendo para você nascer perfeito. daí continuaram torcendo. torceram pelo seu primeiro sorriso, pela primeira palavra, pelo primeiro passo. o seu primeiro dia de escola foi a maior torcida. e o primeiro gol, então? e de tanto torcerem por você, você aprendeu a torcer. começou a torcer para ganhar muitos presentes e flagrar papai noel. torcia o nariz para o quiabo e a escarola. mas torcia por hambúrguer e refrigerante. começou a torcer até para um time. provavelmente, nesse dia, você descobriu que tem gente que torce diferente de você. seus pais torciam para você comer de boca fechada, tomar banho, escovar os dentes, estudar inglês e piano. eles só estavam torcendo para você ser uma pessoa bacana. seus amigos torciam para você usar brinco, cabular aula, falar palavrão. eles também estavam torcendo para você ser bacana. nessas horas, você só torcia para não ter nascido. e por não saber pelo que você torcia, torcia torcido. torceu para seus irmãos se ferrarem, torceu para o mundo explodir. e quando os hormônios começaram a torcer, torceu pelo primeiro beijo, pelo primeiro amasso. depois começou a torcer pela sua liberdade. torcia para viajar com a turma, ficar até tarde na rua. sua mãe só torcia para você chegar vivo em casa. passou a torcer o nariz para as roupas da sua irmã, para as idéias dos professores e para qualquer opinião dos seus pais. todo mundo queria era torcer o seu pescoço. foi quando até você começou a torcer pelo seu futuro. torceu para ser médico, músico, advogado. na dúvida, torceu para ser físico nuclear ou jogador de futebol. seus pais torciam para passar logo essa fase. no dia do vestibular, uma grande torcida se formou. pais, avós, vizinhos, namoradas e todos os santos torceram por você. na faculdade, então, era torcida pra todo lado. para a direita, esquerda, contra a corrupção, a fome na albânia e o preço da coxinha na cantina. Ee de torcida em torcida, um dia teve um torcicolo de tanto olhar para ela. primeiro, torceu para ela não ter outro. torceu para ela não te achar muito baixo, muito alto, muito gordo, muito magro. descobriu que ela torcia igual a você. e de repente vocês estavam torcendo para não acordar desse sonho. torceram para ganhar a geladeira, o microondas e a grana para a viagem de lua-de-mel. e daí pra frente você entendeu que a vida é uma grande torcida. porque, mesmo antes do seu filho nascer, já tinha muita gente torcendo por ele. mesmo com toda essa torcida, pode ser que você ainda não tenha conquistado algumas coisas. mas muita gente ainda torce por você!

(carlos drummond de andrade???)

domingo, 1 de agosto de 2004

tem um cd do oswlado montenegro que chama "letras brasileiras". na versão ao vivo deste cd ele canta músicas de diversos compositores, e sob diversas temáticas: ele comenta sobre os repentistas, compositores antigos, sambas, músicas saudosistas e também canta canções de 'ainda desconhecidos'... dentre os desconhecidos, ele simplesmente arrasa com uma música de beto brasiliense, chamada pó. a letra em si já é demais, cantada então...só ouvindo mesmo.

tu és pó, eu ao pó reverteres.
em verdade, é só isso que queres.
vem do sol, o que queima e as cores.
amanhã, teu pó serão flores.
quando sinto no pescoço um nó.
vem o vento e me sopra eu sou pó.

(beto brasiliense)

dá um alívio, não dá?